Eles não são o Brasil
Isso é essencial de entender: o verdadeiro golpe não é contra o Brasil, nem contra o povo brasileiro — é contra a pequena elite ideológica que tenta falar em nome de todos, mas que representa apenas a si mesma. Quando líderes ou instituições tomam a palavra e dizem "nós somos o Brasil", ou "falamos pelo povo", mas na prática ignoram, silenciam ou reprimem quem pensa diferente, o que está sendo atacado não é a democracia — é a própria pluralidade que a sustenta. Uma das estratégias mais perigosas do autoritarismo moderno é se disfarçar de defensor da liberdade, enquanto aplica, na prática, mecanismos de controle, censura e medo. O discurso é de inclusão, mas os atos são de exclusão. Falam em nome da "paz social", mas perseguem vozes dissidentes. Dizem representar o país inteiro, mas governam para uma minoria ideológica que quer transformar o Estado em um braço de doutrinação. Não se trata de combater o Brasil — trata-se de resistir à captura simbólica e institucional do país por um projeto autoritário disfarçado de justiça social ou de legalidade democrática. Essa distorção é profunda e perigosa, porque manipula o imaginário coletivo: transforma opositores em "inimigos da pátria", qualquer crítica em "ameaça à democracia", e qualquer tentativa de reequilibrar o jogo como “ataque institucional”. É preciso retomar a clareza: o Brasil é maior do que qualquer partido, ideologia ou figura de poder. A verdadeira nação brasileira é diversa, complexa, cheia de contradições e riquezas culturais, espirituais e sociais. Quando alguém afirma que “defende o Brasil”, mas apenas impõe sua visão e cala as outras, não está defendendo o país — está tentando usá-lo como escudo para seu próprio domínio. Portanto, não é um golpe contra o Brasil lutar contra esse projeto de controle, pelo contrário: é um ato de amor e coragem. O combate real é contra o autoritarismo travestido de virtude, contra a hegemonia disfarçada de cuidado coletivo. E quanto mais consciência houver disso, mais o povo poderá despertar e retomar seu direito de ser representado de forma verdadeira.
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